Agentes interceptam carta do Comando Vermelho em operação na PCE; presos pedem racionamento de bateria - itinewsMT

Agentes interceptam carta do Comando Vermelho em operação na PCE; presos pedem racionamento de bateria

 

O Grupo de Intervenção Rápida do Sistema Penitenciário, que atua na ‘Operação Agente Douglas’, iniciada no dia 12 de agosto para fazer uma limpa na Penitenciária Central do Estado (PCE), conseguiu interceptar uma carta encaminhada por um membro do Comando Vermelho (CV), com instruções para o cometimento de crimes e recados para seus familiares. Entre as indicações está o racionamento de bateria, já que as tomadas foram retiradas de dentro das celas.

A carta interceptada seria mandada para um raio que ainda não teve revista, para pedir que eles se comunicassem com outros criminosos do lado de fora, para continuarem o cometimento de crimes. No recado, o membro do Comando Vermelho (CV) ainda orienta utilizar somente 5% de bateria.

O detento escreveu na carta recados para familiares, dizendo que está bem e que os agentes cortaram qualquer tipo de comunicação deles. Além disto, ainda orienta a criminosos que estão do lado de fora para que continuem com os ‘trabalhos’, inclusive direcionando para onde o dinheiro advindo das práticas ilegais deveria ser depositado.

A orientação era para que os recados fossem repassados todo dia à noite. Na carta, havia até a senha utilizada para desbloquear o aparelho.

A intervenção na Penitenciária Central do Estado (PCE), batizada de ‘Operação Agente Douglas’, entrou no seu 16º dia nesta quinta-feira (29) e continua a retirar diversos objetos e produtos de dentro das celas da unidade prisional. Os agentes encontraram drogas, aquecedores de água e até bebidas alcoólicas artesanais. O objetivo da ação é fazer uma limpa, reforma e reestabelecer a ordem no local, que conta com 2.400 reeducandos.

Desde o início da operação, foram retirados de dentro das celas dos presos todo o excesso de material que dificultava os procedimentos de revista pelos servidores da unidade: colchões, puff´s, ventiladores, televisores, aparelhos de rádio, aquecedores de água, sanduicheiras, freezers, entre outros.

Além do excesso de material legal, também foi apreendida uma grande quantidade de celulares, armas brancas, carregadores, baterias de celulares e bebidas alcoólicas (‘Maria Louca’, uma bebida artesanal feita pelos próprios presos como resultado da fermentação de arroz e cascas de frutas cítricas).

A Secretaria de Segurança Pública (Sesp) ainda não divulgou números oficiais da apreensão dos materiais ilícitos. Porém, constantemente, em vários procedimentos de revistas em celas diferentes, os agentes plantonistas e o Grupo de Intervenção Rápida apreendem mais celulares e drogas.

Uma coletiva de imprensa deverá ser convocada ao fim dos trabalhos dentro da penitenciária. Na ocasião, o secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, deverá apresentar os números finais de tudo que foi apreendido.

Operação

A operação foi batizada de “Agente Douglas” em homenagem ao agente penitenciário executado por membros do Comando Vermelho, na cidade de Lucas do Rio Verde, com vário tiros de pistola 0,9 mm, quando chegava em sua residência.

A operação de reforma na Penitenciária Central do Estado foi iniciada no dia 12 de agosto. Estão sendo realizadas mudanças nas celas, pinturas e retirada de produtos que estão em desconformidade com o Manual de Procedimento Operacional Padrão do Sistema Penitenciário.

Além da reforma, a operação de revista geral tem o objetivo de fortalecer as ações de enfrentamento a crimes que possam ser cometidos dentro da unidade penal, além de se antecipar a possíveis atos delituosos.

Durante este período, estão suspensas as visitas aos reeducandos. A operação é realizada apenas na Penitenciária Central do Estado, não sendo estendida a nenhuma outra unidade no interior ou mesmo na Capital.

Entre os materiais em excesso que estão sendo retirados, segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindspen), estão televisores, ventiladores, prestobarba, sanduicheiras e outros eletrodomésticos. “É uma limpa. O excesso atrapalha o trabalho de revista dentro da unidade. É até uma questão de saúde, temos um número alarmante de doenças infectos contagiosas”, disse a presidente do Sindspen, Jacira Maria da Costa.

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